segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sexta-feira 13 na minha casa...

Sábado, 14 de Setembro de 1985.

Como um bom garoto esperto que sou, já percebi que todo mês que começa no domingo tem uma "sexta-feira 13", e nesse dia todo mundo lembra de vários detalhes: não passar debaixo da escada, nao cruzar com gato preto, não quebrar espelho, entre outras coisas. Mas o que mais me dá medo mesmo é lembrar do filme Sexta-Feira 13, porque uma coisa que o pessoal aqui da rua tem medo é do Jason! E eu também claro...

Mas uma história engraçada que aconteceu ontem (sexta-feira 13) foi uma idéia minha e do meu irmão de a gente assustar os muleques aqui da rua.

Aqui na minha casa tem um corredor atrás da casa que a noite todo mundo tem medo de ir lá porque eu e meu irmão sempre dissemos que o Jason mora lá. Uns acreditam, outros vão lá pra mostrar que não tem nada, e como não tem mesmo voltam tirando onda.

Mas como dessa vez tava chegando a sexta-feira 13, eu e meu irmão tivemos a idéia de assustar a galera toda, até os que já tinham ido lá atrás da casa. Meu irmão aprendeu na escola, nas aulas de educação artística, a fazer papel-marché. Então tivemos a idéia de fazer uma máscara do Jason. Meu irmão fez e ficou igualzinha, dava até medo de olhar pra máscara!

Depois eu dei a idéia de a gente armar: ele se vestir de Jason, com umas roupas velhas que tem aqui em casa, e eu ia lá na rua chamar um bobo qualquer pra ir lá atrás comigo pra ver o Jason, que tava na minha casa fazendo uma visita porque era sexta-feira 13. Lógico que ninguém acreditava, mas aí quando a gente chegava lá perto do corredor meu irmão saía correndo lá de trás, andando igual o Jason anda no filme.

Putz, era cada berro que eu quase fiquei surdo! Mas também dei várias risadas! Pra ficar igualzinho mesmo só faltava o facão, mas acho que eles nunca mais voltariam na minha casa!

Mas que foi maneiro dar susto em todo mundo foi, da próxima vez todo mundo vai pensar duas vezes antes de vir aqui em casa na sexta-feira 13.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Nem polícia nem ladrão, quem matou o Murphy foi a Claudia!

Abril de 1985

Hoje eu tava vendo Smurfs quietinho no meu canto, e com meu Aquaplay Basquete no colo só esperando o desenho acabar pra eu brincar com ele, porque, segundo minha mãe, é o melhor brinquedo que ela já me deu, porque eu fico quieto brincando e ela esquece que eu existo. Será que sou tão agitado assim?








Mas pô, se eu sou agitado não é tão culpa minha assim! Mas enfim, antes que eu começasse a primeira partida com o Aquaplay já ouvi alguém me gritando lá da rua, eram meus amigos chamando pra brincar de "polícia e ladrão".

O pessoal usa qualquer coisa como arma: galho de árvore (pistola se o galho for pequeno), cabo de vassoura (espingarda ou 12, depende da preferência e do ponto de vista), chinelo (isso não sei o que era não! Tinha também as arminhas de brinquedo que uns arrumavam ou umas pistolinhas de espoleta, mas isso era pra quem era café-com-leite. E pra mim e pro meu irmão meu pai fez com um pedaço de cabo de vassoura e um pedaço de madeira uma pistola maneira, uma pra cada um lógico, pra não ter briga (só tiroteio!), e com um prego como gatilho. E todo mundo sempre quer ser ladrão e me deixar como polícia só pra tentar roubar a arma da minha mão, mas eles sempre se ferram porque eu sou um bom policial!

Mas confesso que dessa vez a brincadeira tomou um rumo meio diferente, porque dessa vez eu caí no time dos ladrões, e como todo bom ladrão eu tenho sempre que me esconder e ficar de tocaia pra pegar um policial de refém ou matar logo pra diminuir o time.

Só que dessa vez eu me escondi num quartinho do tio do Rodrigo "cú-de-boi" e fiquei lá de tocaia esperando alguém aparecer pra eu entrar em ação. Coloquei até o silenciador no meu revólver pra quando eu der o tiro ninguém ouvir. Meu revólver quando tá com o silenciador faz só "psiu", mas é um estrago só!

Mas como eu já tava um bom tempo escondido ali no quartinho, comecei a averiguar o esconderijo, e de repente vi umas revistas guardadas numa gaveta de um armário que tem lá nesse quartinho, e achei uma tal de "Playboy". Quando vi achei que fosse uma revista estrangeira, mas ainda curioso resolvi abrir, porque já vi que na capa tava tudo escrito em português. Tinha uma mulher sem blusa, mas de lado, não dava pra ver nada, mas tinha uma frase dizendo assim: "Um show de nudez: A beleza selvagem de Claudia Ohana".

Comecei a folhear a revista até chegar numa página onde aparecia essa Claudia Ohana pelada! Como eu ainda não tinha visto uma mulher pelada eu continuei passando as páginas, e.... CARACAAAAA!!! Eu não sabia que essa mulher gostava do Murphy!!! E ao invés de ela segurar com as mãos ela colocou ele preso no meio das pernas! Acho que era pra não aparecer a ximbica dela, sei lá, mas que tava estranho ah tava! Eu fiquei ali naquela foto analisando e tentando ver a cara do murphy e qual era a posição dele, porque eu não conseguia ver a cabeça dele, nem o rosto, nem os braços, nem os pés! Só o peito dele! Muito estranho...

Bom, como eu tava no meio de uma fuga dos policiais, e ouvi tiros, então coloquei a revista no lugar onde achei e voltei pro tiroteio porque eu tava querendo mesmo era matar alguém. Mas confesso que até agora não me saiu da cabeça o fato de a Claudia Ohana ter matado o Murphy prendendo ele no meio das pernas daquele jeito... Acho que por isso que tá escrito na capa "beleza selvagem"... Ela até que é bonita, mas deve ser bem selvagem pra matar o coitado do macaquinho daquele jeito!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

He-man, o mais forte do universo!

Março de 1985

No Natal passado eu ganhei um dos melhores presentes que eu poderia ganhar: um boneco do He-man!! Meu irmão ganhou o do esqueleto, seria alguma insinuação porque ele é magrelo? A gente na rua chama ele de "cemitério" (porque só tem osso), mas isso tem que ser feito a pelo menos uns 30 metros de distância e contra o vento, porque ele fica doido e corre atrás da gente.

Aliás apelidos é o que mais tem aqui na rua. O Rodrigo é "cu-de-boi" (não sei porque não, o tio dele que chama assim e acabou pegando, pelo cheiro pelo menos sei que não é, ele fede a cecê não a cocô), o Fabrício é o "mancha negra" porque ele tem uma mancha na cara, o Wagner é o "bicho-da-goiaba", eu também não sei porquê. Tem os garotos da outra rua também, o "berruga" (berruga mesmo), "cambraia" (que diabo de apelido é esse?), o "Panela" (esse é o melhor) que também chamamos de "Aquático" e fazemos aquele barulho que ele (o Aquático original) faz no desenho. Esse ele (o "Panela") não gosta, e vem correndo atrás da gente pra querer pegar, mas não pega. O dia que eu correr menos que uma panela, me fritem!!!

Bom mas esse assunto não é o principal, e sim o meu boneco do He-man, que agora é meu melhor amigo, inseparável. Todo lugar que eu vou ele vai comigo! Vou na casa de alguma tia (mesmo que não tenha primo lá pra eu brincar) e ele vai junto na mão; vou pra praia e ele vai preso na sunga; e quando vou pra escola, lógico que a primeira coisa que pego quando vou arrumar a mochila é ele! Até antes da merendeira!!

E por falar em escola teve um dia que eu quase perdi o meu He-man, porque o Altair (pelo nome vocês devem imaginar o tamanho dele né? Ainda bem que é meu amigo na escola) disse que o meu boneco do He-man não é forte igual o do desenho que passa na TV. Como ele é meu amigo eu pude discordar e falar que era sim, é só olhar pros músculos dele pô! E com certeza o boneco é pesado assim por causa dos músculos!

Então apostamos um Mirabel, um Pirucóptero e dois caramelos que ele não ia agüentar se o Altair jogasse ele pra cima e caisse no chão sem quebrar.



Eu já tava ficando eio arrependido de ter apostado com o Altair, porque se o He-man quebrasse eu ainda ia ter que dar um jeito de arrumar os doces pra dar pra ele, eu não ia poder bater nele mesmo. Então quando acabou a aula a gente foi pra frente da escola pra fazer a droga do teste que eu não queria mais, mas aposta é aposta né.

Com os olhos cheio de lágrimas eu dei o meu He-man na mão do Altair (senti um clima de despedida nessa hora) então meio desesperado, mas, me contendo, eu disse pra ele não jogar muito alto. O desgraçado do Altair me pega o boneco e joga pro alto, mas com uma força que o boneco voou por cima da cantina e foi cair lá atrás do escorrega (juro que ouvi o He-man dizendo "pro alto, e avante!" de tão alto que foi).

Procurei o orelhão da Telerj mais próximo pra ligar pro 911 mas eu tb não tinha ficha, então me benzi e fui ao encontro do corpo...



Chegando lá tava ele de bruços, de cara na areia, confesso que nessa hora fiquei mais tranquilo, porque se ele caiu na areia então não quebrou nada. Quando o Altair viu o He-man na areia ele disse "não valeu! Amaciou a queda na areia!". Não sei de onde tirei tanta força e velocidade pra correr mais rápido que ele, pegar o meu He-man e voltar correndo pra porta da escola onde minha mãe já tava me gritando pra ir embora logo! Os doces? Dispensei lógico, prefiro ficar com o meu He-man!!

Ah! Doce ilusão a minha achar que o He-man caindo na areia não ia se machucar, na verdade ele caiu no chão antes de chegar na areia, quicou e só parou na areia. Fico imaginando o sofrimento que ele passou nesses momentos difíceis. Se eu tivesse o boneco da Teela eu colocaria ela pra cuidar dos ferimentos do He-man, mas eu não tinha. Ele teve uns arranhões no peito e no joelho, mas continua inteiro pelo menos. E nunca mais chega perto do Altair!!!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Achei o meu caderninho!

Fala galera blz? Bom, vou começar primeiro explicando o que é essa coluna e do que ela vai falar. Quando eu era moleque, eu tinha um caderninho que eu escrevia as histórias (e as merdas tb) que aconteciam comigo e com meus amigos. Isso lá na década de 80, que agora a gente vê o quanto era bom aquela época e a gente não aproveitava quase nada dela, ou aproveitava e não tinha idéia do quanto era bom. Nessa época eu tinha mais ou menos uns 7 anos, e como toda criança eu fazia merda atrás de merda. Naquela época não sei porque eu cismei de escrever sempre o que acontecia no meu dia-a-dia. às vezes era tanta merda num dia só que eu nem lembrava de tudo, mas sempre que der eu vou colocar algumas histórias e anotações desse caderninho aqui pra vocês rirem um pouco. Divirtam-se!

15 de Janeiro de 1985

Hoje teve uma partidinha de furinguinho de gato aqui na frente de casa e lógico que eu brinquei né... E pra variar tô até agora procurando o tampão do dedão do meu pé, que perdi num chute durante a partida.

Eu novo, novo e já tenho uma coleção de cicatrizes de dar inveja ao Freddy Krueger!

Mas acho que por hoje chega de escrever, porque ainda quero achar o tampão do meu dedo lá na rua e fazer um cordão bem maneiro pra usar. O pessoal gosta de fazer pulseirinha de linha de crochê enrolada num plástico de lacre de caixa, cordão de conchinha catada na praia, mas original mesmo é fazer um cordão com o tampão do dedo!!! Agora chega de escrever, vai começar Thundarr o Bárbaro e eu quero assistir. Ariel, Ucla, Vaaaaamosssssss!!!




Até a próxima história!